quinta-feira, 30 de abril de 2015


Seca Marítima

Palavra
É
Como água.

Segue trajetórias inesperadas.

Palavra
É
Como água

Mata a sede e refresca.

Palavra 
É
Como água.

Exige consumo consciente.

Não desperdice!
Não contamine!

Palavra
É
Como água .

Fonte de Vida!

19 de outubro de 2014


 Príncipe do Sorriso de Pérola
(em resposta a Taiguara Nascimento/ Meu Príncipe)

Príncipe do sorriso de Pérola.
Sob tua coroa
Idéias efervescentes.
Príncipe do sorriso de Pérola.
No lugar de armadura
Poesia.
Invés de espada
Cantoria.

Príncipe do sorriso de Pérola.
É nobreza rara.

Príncipe do sorriso de Pérola.
Teu coração é mais valoroso que tuas terras.

Príncipe do sorriso de Pérola.
Presenteie teus súditos com beleza e sensibilidade.

Príncipe do sorriso de Pérola.
Vem depressa....
Invada a torre sombria.

Sorria, sorria, sorria.

Príncipe do sorriso de Pérola.
Ajeita-me em teu colo
Canta Primavera
Mata o dragão dos anseios
Faz-me princesa.

Príncipe do sorriso de Pérola.
Cintila, cintila, cintila!

20 de outubro de 2014
 

 Salai

Nesta tela tão controversa
Te pintei.
Aos olhos comuns por trás de ti
Paisagem em desalinho.
Aos meus olhos...
Oculta inspiração.

Céu e inverno digladiam em cores.
Uma ponte, um leão....
Quantas coisas ignoradas
Coeficiente de mentes atadas.

Embaralhei as letras de teu nome
Pintei nossas iniciais em tuas córneas
Mistifiquei teu sorriso
Te cobri com vestido
Mudei teu gênero.

Lamento tantas artimanhas.
Mas nossa paixão é fervor incompreendido.
Quão pecaminosos são os arrepios.
Quão salgado é o suor proibido.
O fogo inquisidor pune o toque atrevido.

Certamente este segredo repousará em nossos túmulos.
De quando em quando durante a penumbra
Questiono a estrela bastarda:
Almas serão libertadas em séculos futuros?
O amor tingirá os corações obscuros?

21 de outubro de 2014


 Questão Suprema
                                       
Democracia
É cria de quem?
Moral e ética
Da onde vem?
Política
Ciência do bem comum?
Partido
É bando de um?
Justiça
É balança capenga?
Ordem e progresso
No quintal de quem?
Pra que aquele mar de gente?
As sobras são solas gastas
E vinte centavos furados.
Periferia onde senta?
Na calçada ou na cadeira de couro?
Consciência onde repousa?
Nas redes simplórias ou nos travesseiros de plumas?

“Tudo que sei é que nada sei”
Glorifico somente as perguntas.
Opinião é palavra?
As vezes parece arma.

Intolerância o que é?
Peste Negra!

26 de outubro de 2014


Finestra Dell’Amore(Volume II)

 “Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer
.”

... Mais uma vez me dedico as jardineiras
O Sol e a água não nutrem mais a coloração das pétalas.
As flores suplicam por algo que não posso dar.
As contemplo carinhosamente tentando fazê-las entender
que jamais desejei tal desfecho.
Lamento Queridas... O desejo foi grande, porém solitário.
Após a breve conversa, apoiei meus cotovelos no parapeito da janela.
Minhas mãos sustentavam o queixo exausto.
Meu olhar difuso se misturava com o obscuro céu. Era anunciada a tormenta.
Lutei tal Dom Quixote contra os moinhos de vento. Durante esta batalha inglória fui arremessada violentamente, cai sentada.
As venezianas da janela que tanto protegi, agora estavam emperradas.
Eu ali no canto da sala, abracei minhas pernas encolhidas num ato débil de tentar conter a dor. Dor tão pujante quanto meu fracasso. Sensíveis são os laços de um amor monólogo...
Tateei o chão a procura de um objeto qualquer... Quem sabe... Eu pudesse lançá-lo, arrebentando assim as venezianas.
Foi então que me dei conta....... Pouco importava as farpas ou os cacos de vidro... De nada adiantava trocar a janela...
... A paisagem tinha agora um aspecto espiralado digno de Van Gogh...
Havia a silenciosa densidade noturna, mas faltavam estrelas...
Sentia no fundo do meu poço... que os pobres corpos celestes não retornariam jamais.
Pois o céu dos meus olhos havia se transformado... cerrado estava o meu mundo!

07 de novembro de 2014


 O Retorno de Policarpo

Ah, Policarpo
Quanta incompreensão sofrida.
Quantos rótulos e olhares tortos.
Dar as costas ao convencional custa caro.
Ah, Policarpo
Sustentar certos ideais causa dor nos ossos.
A obstinação demasiada embaça a vista.
Um estandarte forjado na mentira.
Qual é sentido da guerrilha?
Foi-se uma vida por nada.
Pobre fim o teu Policarpo!
Pobre fim o meu...
Para ser prisão não é preciso haver grade.

13 de novembro de 2014



Tesouro Pirata
(Para Karin Regina Rocha)

Leveza densa
De ser superlativa.
Excessos sutis
De arco-íris com neblina.
É ardência solar com o doce ritmo da chuva.
É rosa que se protege com espinho.
É o desalinho de uma estrada segura.
´
É o grito indefeso.
É o cumprimento das juras.

Loucura pura
De verdades inteiras.

Ela é tanta coisa
Que mal pode se escolher.
Mas quando penso nela
Só consigo enxergar...
Concha e Pérola!

18 de novembro de 2014


Mariazinha

E agora, Maria?
José deu no pé.
A ampulheta está vazia.
E agora. Maria?
Não há mais migalhas de pão pelo caminho.
E agora, Maria?
Vai dormir na pia?
E agora, Maria?
Ajoelha e roga...
Sonhar virou pecado.                                                        
E agora, Maria?
Há futuro sem passado?
E agora, Maria?
Como saltar do trem descarrilado?

Pobre Maria........
Parece Casta Lucrécia.
Inebriada manteve as vestes intactas
Mas teve a alma rasgada.

E agora?
Quem se importa?
Maria é só uma “inha” entre tantas.

01 de dezembro de 2014



 Cômodo da Alma
(Para quem me abraça com palavras)

É... fechou-se a janela.
Mas em meio ao nada
Fez-se uma porta dourada.
Apesar do medo persistente
Girei a maçaneta.

Ali estava um novo cômodo
Com ares de encanto.
As paredes com pinturas de Picasso.
Móbile de corujas no teto.
Bem ao centro uma poltrona.

 Tão macia... tão convidativa...
Acariciei seus braços...
E sentei.

Meu corpo tão torturado
Encontrara enfim... calor.
Cerrei os olhos
Mergulhei em cor.

O mundo já não era tão estranho.
Meu pensamento ficou pareado.
O doce som da compreensão.
Me entreguei ao sono tranquilo.
Eu sou eu então...

07 de dezembro de 2014



 Corujando
(Para M.F)

Ele que se diz atentado
Mas parece um ser alado.
Ele que mais ouve do que fala
Se entrega as estrelas.

Ele que se diverte com bytes
Ostenta verdade em cada palavra.
Ele que tanto se guarda
Tem em si a bravura da natureza.

Ele que valoriza os pequenos detalhes
Amplia tudo que olha.

Ele que possui um mapa de cicatrizes
Sabe o que é, quem é
E não abre mão de seus princípios e diretrizes.

Ele que veste armadura
Desvendou com doçura os segredos dela.

Ele que é tão singular
É a raiz quadrada da diferença dela.

Ele que se diz esquisito
Tem o coração tão bonito
Ornado com laços de fita.

Ele que se diz louco
Tirou a loucura dela pra valsar.

... Agora são eles duas corujas
Voando em zig-zag pela vida.

18 de dezembro de 2014


 #Ficaadica (Volume III)

Clica no coração
E faz pulsar.
Daí  se eu te amar
Me ama de volta?
Porque amor sem resposta
É pior do que selfie torta.

Se eu te seguir não assusta.
É só minha poesia pintando tua alma.

Deixa eu navegar em tuas ondas homéricas.
Mesmo que a conexão do tempo estiver falha
A única coisa que interessa...
É o desejo insano
De experimentar tua saliva
E afundar em você.

Então não esquece...
Daquela Hastag
Seeuteamar
Meamadevolta
<3

01 de janeiro de 2015


Eles e Ela

Escrevo, logo sirvo.
(Até que enfim...)
Escrevo, logo vôo.
(Looping )
Escrevo, logo pinto.
(Tinta e palavra... mistura perfeita)
 Escrevo, logo sinto.
(Relâmpago e travão)
Escrevo, logo almejo ser.
(Qualquer coisa menos óbvia)
Escrevo, logo finjo.
(Esquecer)
Escrevo, logo golfo.
(Bobagens e incertezas)
Escrevo, logo amo.
(Mais do que minha sombra)
Escrevo, logo existo.
(Cirando com Alberto. Bernardo e Fernando)

05 de janeiro de 2015
  

Glamour

Se
Poesia
Fosse
Purpurina.

Poria
Um
Cadinho
Debaixo
De
Cada
Capacho.

Assim
A
Cada
Chegada
A
Poesia
Enfeitaria
Os
Pés
Cansados.

Assim
Tudo
Seria
Festa
Amor
E
Esperança.

06 de janeiro de 2015



Aldravia IX

Poeta
Palimpsesto
Dourado
Aroma
De
Rosa.

10 de Janeiro de 2015


 Simplesmente Rita (Volume II)

Se hoje tomo chá com Aurélia,
Se vejo em meu reflexão Macabéia,
Se tenho ressaca no olhar,
Se dancei na Quadrilha...

Se adquiri um ar socrático,
Se mergulhei os pés no rio de Heráclito,
Se visitei a Caverna,
Se fiz do Mundo de Sofia o meu,
Se dilatei minha pupila

É graças a ela...


Fez da palavra pedra fundamental
Da minha existência.

Não sei se a minha rima é torta.
Não sei se a alguém causo náuseas.
 Se ela adora a minha avalanche poética
Sinto um véu de bênçãos sobre o papel.

10 de janeiro de 2015


Celebração

“Você tem um olhar como se fosse Natal”
(Frase que teria sido escrita por Freud à Lou Andreas Salomé)

... ahhhhhhhhh como eu queria... Que durante uma noite dessas (sob a bênção da Lua), um alguém qualquer proferisse a celebre frase.
Dali em diante me faria festiva.
O ambiente decorado à luz de velas...  sobre a mesa de madeira, alimentos frescos... com direito a sobremesa de chocolate meio amargo( pois o doce contrario me atrai) .
A presença de melodia seria obrigatória. Logo após a ceia, dançaríamos colados até a nossa alma cintilar.
Antes que a impiedade do tempo nos violasse trocaríamos pequenos mimos. Ali no fundo de alguma caixa... estaria um amor desajeitado... Que a nossa existência daria sentido.
Contudo infelizmente (ou não)... o meu desejo e o meu tenho, não andam de mãos dadas... Talvez nunca meu olhar tenha sido explorado...
Devo confesso com um leve pesar.... Quanto mais poetizo, menos acredito que o Natal chegará! 

11 de janeiro de 2015


Nietzschedamente

“Como se Nietzsche viesse de uma região que ninguém habitasse”
Rohde

A dificultosa doçura do autocontrole.
A felpuda solidão.
O leve pesar da incompreensão.
Buscar a verdade
Tropeçar numa cadeia de metáforas.
Uma silhueta, múltiplas vozes
(no canto escuro da sala)
Se perder no amor negado
Olhar o abismo
Ser mirado de volta.
Mergulhar na ópera de Tristão e Isolda.
Encontrar nas palavras martírio e salvação!

15 de Janeiro de 2015


  

 RePresa

Para minimizar
Desperdício e gasto.
Raciono saliva.
Cada vez mais seca esta represa.
Ninguém parece ver
Ou quem sabe...
Vê, mas ignora.
O sol se faz forte
O chão trinca.

16 de janeiro de 2015


 Cafeteria

- Garçom...
Uma xícara de Amor sem “E”, por favor!
- Desculpa a insistência...
Mas nosso “E” é refinado.
- Amor com “E” transborda... Alaga a mesa...
Mancha meu vestido de seda.
- Anotado...
A Senhora deseja mais alguma coisa?
- Ah, sim... uma fatia de torta de chocolate, por gentileza.
- Trago num minuto.
- Obrigada!

A aurora ali estava...
O vento brincava com seus cabelos
E ela se inebriava...
 Com o aroma das páginas do livro novo.

16 de janeiro de 2015


 Whoosh!

Um arrepio...
Estarei eu com Apaixonite?
Ahh alarme falso!
Apenas uma corrente de ar...
Ufaaaaaaaa
Por precaução...
Vestirei uma jaqueta,
Trancarei portas e janelas.

17 de janeiro de 2015





 Liberllulus

"A vida humana – na verdade, toda a vida – é poesia. Nós a vivemos inconscientemente, dia a dia, fragmento a fragmento, mas, na sua totalidade inviolável, ela nos vive.” (Lou Salomé)
                                           
Minha pequena Lou
Rasgou o tempo,
Viu além dos picos,
Laçou o destino.
Hipnotizante inteligência.
Delicadeza sedutora.

Para os doutrinados uma blasfêmia.
Para os tocados a Paixão encarnada.

Ao meu olhar é apenas uma donzelinha
Que compôs na partitura dos céus
A mais bela sonata!

17 de janeiro de 2015


Matéria-Prima (Volume II)

Você sabe quem sou eu?
Duvido!
Cuidado com o jogo de espelhos.
Posso ser Homo- Hetero -Assexuado.
De direita -Esquerda- Um pé de cada lado.
Loucamente sensato.
Letra invertida- Reticências – Etc.
Rasura- Papel reciclável.
Insulto aclamado.

Como dizia N (um velho amigo):
“Uma coisa sou eu, outra são meus escritos”

19 de janeiro de 2015



 Prometeu

Quando sobra falta...
Água em fio,
Vira enxurrada.
Derrota o fogo
Encharca os frágeis gravetos.
Encontro lenha nova,
Todavia a falta que sobra
É tão teimosa
Que desalinha tudo
E apaga a pobre faísca.

Quando sobra falta
A escuridão parece beijar o chão da floresta.
Anjos caídos cirandam....

Quando sobra falta
Caio de joelhos sobre a folhagem seca
Aperto os olhos ainda esperançosos...
Rogo por Prometeu:
- Devolva o fogo e o encanto. Devolva a luz e desejo...
Paraíso que o tempo empalideceu!

22 de janeiro de 2015


Aldravia X

Intolerância
À
Alienação.
Pousa
Peter
Pan.

02 de fevereiro de 2015



Aldravia XI

Surfando
No
Remoinho.
Prancha
Trincada
Aloha.

02 de fevereiro de 2015




















Mirante

Este olhar...
Me tira da ignorância.
Vivi imersa dias muitos.

Este olhar...
Mais esclarecedor do que enciclopédia.
A serventia das palavras
Nem lembro.

Então mira
Com toda malicia e delicadeza
Rubra minhas bochechas
Seca minha boca.

Então mira sem descanso...
Ate alcançar minha hipoderme,
Beijar meus segredos,
Me marmorizar com tintas coloridas

02 de fevereiro de 2015


Colcha de retalhos

Ah... minhas meninas...
Germinaram em meu corpo árido
Sementes raras.

Emily, a reclusa
Construiu o mundo num cômodo
Com aroma doce de papel de carta.

Clarice, a introspectiva
Dama das palavras
Tradutora de essências.

Lou, a libélula.
Inteligência delicada
Sedução ingênua.

Frida, a efervescente.
Mil paixões
Belas dores.

Ah... minhas meninas...
Lhes pertenço mais a cada segundo
Lhes  devo toda a minha cor e sentido.

05 de fevereiro de 2015


FossaEver

Sei lá...
Parece bobeira...
As vezes penso
Que quase todo poeta
Mergulha a fuça na fossa.
Quando a própria seca
Ele rouba um tantinho do vizinho.
Não, fossa não é apocalíptica.
Para algumas pessoas...
É pé de valsa
Tem aroma de café
É melhor do que cafuné.

Fossa, rima caramelada.

18 de fevereiro de 2015


Gira Sol

Ontem tive um pesadelo.
Acordei com as pupilas dilatadas
Atracada com a angustia.
Como sempre...
Me exilei nas palavras.
Meio sem querer esbarrei com uma velha amiga.
Os versos dela foram como libertação:

"Pode inventar verbos? Quero dizer-te um: - Eu te céu. Assim minhas asas se estendem enormes para amar-te sem medidas."

Instantaneamente pensei em ti...
Neste abraço de almofada
Nesta cara pintada pra fazer sorrir.

O simples ato de pensar-te...
Faz coceguinhas em minhas asas
Uma gargalhada ecoa no quarto.
(Agora enfeitado)

Mais eu mesma...
Digo de olhos fechados
Um trechinho de Frida
(Levemente modificado)

“- Eu te Girassol”
Sei que em algum lugar
Mesmo sem saber...
Você me escuta!

19 de fevereiro de 2015


 Oriente

Viver sem amor
É como comer sushi
Com um único Hashi.
É claro...
Sempre podemos usar o garfo,
Mas não é a mesma coisa.
O arroz sai pela culatra.
Tudo pelo prato esparrama.
Wasabi trava na garganta.
Olhos lagrimejam.

21 de fevereiro de 2015 


Entendedores

Entendo...
A regência da orquestra imaginaria,
A porta trancada do quarto,
Os ferros na coluna,
O terno invés da saia.
Entendo...
A ressaca de tédio,
A necessidade de personalidade múltipla.
Entendo...
As juras de amor na sacada,
O punhal e veneno.

22 de fevereiro de 2015


 S.S.P

Posso...
Chorar com batida eletrônica,
Sorrir com musica lenta.
Posso...
Pintar com escova de dentes,
Ler frase invertida.
Posso...
Filosofar sobre relevâncias,
Vibrar com filmes de ação.
Posso...
Conhecer pouco muito do mundo.
Mas confesso...
As vezes prefiro a ignorância.
Seres, saberes e poderes
São fomes incessantes...
Ocasionalmente...
Me cansam!

22 de fevereiro de 2015


 Por Tatianna Pinheiro